O Instituto Oceanográfico de Moçambique (InOM), em parceria com a Wildlife Conservation Society (WCS) Moçambique, realizou entre os dias 1 e 8 de Dezembro de 2025, a terceira campanha de monitoria de tubarões e raias utilizando o sistema de vídeo subaquático remoto com isco (Baited Remote Underwater Video Systems – BRUVS) nos distritos costeiros de Chidenguele e Chizavane.
Esta iniciativa conjunta tem como objectivo documentar a ocorrência, distribuição, densidade e diversidade de espécies de tubarões, raias e outras espécies marinhas, reforçando a base científica necessária para que a região seja considerada uma Área Importante para Tubarões e Raias (ISRA).
Durante a campanha foram registados 75 horas de vídeo. Alguns destaques incluem, pela segunda vez, imagens do tubarão-branco (Carcharodon carcharias), o primeiro registo desta espécie foi feito em Setembro 2023. Um dos aspectos mais relevantes do trabalho científico na região tem sido o reconhecimento da costa do sul de Moçambique, incluindo Chidenguele, como região crítica não apenas para grandes tubarões pelágicos, mas também para espécies raras e globalmente ameaçadas, como o tubarão-enfermeiro de cauda curta (Pseudoginglymostoma brevicaudatum). Esta espécie, classificada como Criticamente em Perigo (CR) na Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), tem uma distribuição restrita no Oceano Índico Ocidental e sua distribuição alargada foi confirmada em águas moçambicanas através de vídeos subaquáticos e outras observações científicas que expandiram significativamente seu alcance conhecido.

Figura 1. Imagens capturadas do tubarão-enfermeiro de cauda curta (Pseudoginglymostoma brevicaudatum), pela segunda vez nesta área
Os dados recolhidos irão contribuir para compreender de que forma a pesca, entre outros impactos, afectam as populações de tubarões e raias e seus ecossistemas vulneráveis. A costa da província de Gaza, e de forma mais ampla o sul de Moçambique, é reconhecida como uma área crítica para diversas espécies marinhas, em especial tubarões e raias - desde grandes espécies migratórias como o tubarão-branco, até espécies raras como o tubarão-enfermeiro de cauda curta.
Desde 2018, o InOM e a WCS têm vindo a realizar campanhas regulares de monitoria com recurso aos BRUVs ao longo da costa moçambicana, consolidando o país como um actor-chave na investigação e conservação da biodiversidade marinha com especial atenção aos tubarões e raias.

Figura 2. Imagem capturadas da raia-de-cauda-de-fita-redonda (Taeniurops meyeni)